Por Karina Gera – escritora, ilustradora e arte-educadora
A infância é um território fértil.
Tudo o que chega nela com verdade tem chance de enraizar, florescer, frutificar.
É por isso que, desde que comecei a escrever e contar histórias, acredito no poder da narrativa como semente de transformação. Uma história bem contada pode fazer mais do que entreter. Pode abrir janelas. Pode iluminar frestas. Pode mudar o jeito de ver o mundo, e de ver a si mesmo.
Histórias que formam leitores e cidadãos
As histórias infantis, quando são respeitosas, bem escritas e cheias de escuta, são ferramentas poderosas de formação humana.
Elas ajudam a desenvolver empatia, ampliar repertórios, lidar com emoções, compreender o outro e refletir sobre o que nos cerca.
Quando uma criança se vê representada numa história, ela se sente validada.
Quando ela lê sobre algo que nunca viveu, ela se conecta com outras realidades.
E isso é crescer. Isso é educar com literatura.
Contar histórias é também cuidar do mundo
Muitos dos meus livros falam de meio ambiente, diversidade, respeito, coragem e consciência. Temas importantes, que não precisam ser pesados quando chegam com a leveza que a infância merece.
Eu gosto de escrever com poesia, com ritmo, com cor, mas sem nunca subestimar a inteligência das crianças.
Acredito que as narrativas que transformam são aquelas que tocam e despertam ao mesmo tempo.
Aquelas que deixam a criança encantada e, ao mesmo tempo, questionadora.
Curiosa. Atenta. Presente.
Quando uma história encontra um coração pronto, algo bonito acontece
Já ouvi crianças dizerem que queriam plantar uma árvore depois de ler “Cadê a Árvore da Minha Rua?”.
Já vi olhos emocionados ao ler “O Tom do Tambor”, inspirado em uma vida de resistência.
Já me contaram que “As Cores do Tesouro Mais Valioso” mudou a forma de separar o lixo em casa.
São nesses pequenos gestos que vejo a transformação acontecer.
História por história. Palavra por palavra.
Histórias criam raízes
A infância precisa de arte. Precisa de palavra.
Precisa de espaços para imaginar, brincar, duvidar, criar.
E é isso que me move todos os dias: oferecer, através das histórias, um mundo mais justo, sensível e possível.
Se cada história é uma semente, que bom é saber que a gente pode ser solo fértil para tantas infâncias descritiva para manter os leitores interessados.
Bjo-ka