Por Karina Gera – escritora, ilustradora e arte-educadora

No dia 21 de maio de 2024, vivi um daqueles encontros que aquecem o coração e renovam a fé no poder da educação e da literatura. Estive na EMEb João Etchebehere, em Rifaina/SP, para realizar uma ação encantadora do Projeto Xerife Ambiental com a tia Lokinha, uma parceria especial com a Usina Hidrelétrica de Igarapava.

A proposta era simples, mas cheia de potência: unir história, natureza, arte e afeto em uma experiência educativa que tocasse fundo o coração das crianças.

A educação ambiental nasce da escuta!

Karina gera

📖 Quando olhei a floresta por uma fresta…

O ponto de partida para nossa vivência foi o livro “Quando Olhei a Floresta por uma Fresta”, de minha autoria. A obra foi entregue às turmas e mediada em uma leitura coletiva cheia de descobertas. Com ele, conversamos sobre as matas ciliares, a biodiversidade do cerrado, os impactos da poluição e a importância de observar, respeitar e cuidar do ambiente em que vivemos.

A floresta que vimos pela fresta não estava só nos livros — estava nas lembranças das crianças, nas margens do rio, nos desenhos coloridos que nasceram em sala.

📖 Quando olhei a floresta por uma fresta…

Quando olhei a floresta com as crianças: literatura e consciência ambiental em Rifaina/SP

Nosso projeto foi pensado com muito carinho para promover aprendizagens significativas, fundamentado numa metodologia que valoriza o protagonismo infantil, a escuta sensível e a interação social. Ao longo do dia, foram atendidas cerca de 100 crianças dos 4ºs e 5ºs anos — manhã e tarde — com atividades que costuraram literatura, conversa, expressão artística e consciência ambiental.

 

Cada roda de conversa, cada traço de desenho e cada página lida revelava o quanto as crianças têm a dizer, quando o espaço de fala e escuta é de verdade.

 

🎨 Arte, palavra e território

Com os alunos do 5º ano, realizamos uma atividade linda de produção artística e rememoração afetiva. A proposta era desenhar o que eles enxergavam pela “fresta” da mata ciliar local. Os resultados foram emocionantes: folhas, pássaros, raízes, flores, peixes e sonhos. Tudo misturado com muita cor e significado.

Já com os alunos do 4º ano, a mediação de leitura foi seguida por uma conversa aberta sobre o meio ambiente, o papel das matas na prevenção de desastres naturais e o quanto nossas ações impactam o futuro coletivo.

 

🌎 O que plantamos nesse encontro

Além de fortalecer a alfabetização e o repertório literário, o projeto plantou sementes valiosas:

  • O despertar da consciência ecológica;
  • O entendimento de que cuidar da natureza é também cuidar da nossa casa;
  • O reconhecimento de que crianças são agentes transformadores do território onde vivem.

Essas vivências articularam saberes de Ciências, Geografia, Língua Portuguesa e Artes, com uma leveza que só a arte-educação é capaz de proporcionar.

✨ O que vem depois da fresta?

Sugerimos à escola a continuidade de ações que articulem leitura, arte e meio ambiente. Também incentivamos a criação de espaços de observação da mata ciliar local, a ampliação do acervo com obras literárias ambientais e o desenvolvimento de práticas permanentes de cuidado com o entorno escolar.

Cada gesto conta. Cada conversa toca. Cada história semeia.

Uma Bjo-ka