Por Karina Gera – escritora, ilustradora e arte-educadora
Sempre que me perguntam por que escrevo para crianças, a primeira resposta que me vem ao coração é: porque acredito no poder da palavra como semente.
A infância é um terreno fértil. E tudo o que chega nela com afeto, com poesia e com escuta, tem o poder de florescer por toda a vida.
A literatura, quando chega cedo, não chega apenas para ensinar letras ou formar leitores. Ela ensina a sentir, a imaginar, a respeitar, a perguntar. Ela oferece à criança um lugar onde o mundo faz mais sentido, mesmo quando é pura fantasia.
Um livro pode ser um colo
Na educação infantil, um livro não é apenas um livro. Ele é um abraço silencioso, uma ponte entre quem lê e quem escuta. Pode ser o primeiro contato com emoções que ainda não têm nome. Pode ser a descoberta de que outras pessoas também sentem medo, alegria, saudade ou coragem.
A leitura compartilhada é um dos gestos mais poderosos da educação. Porque ler junto é também viver junto: escutar, rir, imaginar, pensar, perguntar, conversar. Tudo isso forma vínculo, repertório e, principalmente, forma gente com sensibilidade.
Histórias ajudam a cuidar do mundo
Quando escrevo, costumo dizer que meu desejo não é apenas contar uma boa história, mas plantar afeto e colher consciência.
Escrevo sobre natureza, sobre diversidade, sobre coragem, sobre valores humanos e ambientais porque acredito que a literatura também educa para a vida. E a educação infantil é o momento ideal para cultivar esse olhar curioso, questionador e amoroso sobre o mundo.
A criança que lê hoje é o adulto que cuida amanhã
Incentivar a leitura na infância é um ato de cuidado com o presente e com o futuro. Uma criança que cresce com livros por perto, cresce com mais vocabulário, mais empatia, mais capacidade de imaginar soluções e se colocar no lugar do outro.
E, acima de tudo, cresce sabendo que palavras podem transformar. E que ela, com suas palavras, também pode transformar o que está ao seu redor.
Se você trabalha com crianças, é mãe, pai, educador ou apenas um amante da infância, meu convite é simples: Leia com elas. Leia para elas. Leia perto. Leia junto. O que floresce a partir disso, nenhuma tela no mundo é capaz de substituir.