Por Karina Gera – escritora, ilustradora e artista de alma inteira

Da parede à página dos meus livros

Pintura Mural na cidade de Brodowski, 2009

Antes de ilustrar livros, eu ilustrava sonhos.
E, como quase tudo que vive em mim, essa história começou na infância.

Meu irmão mais velho, Giuliano, foi meu primeiro espelho artístico.

Meu irmão Giuliano e eu

Ele tinha um caderno de desenhos que eu adorava folhear com cuidado e admiração.
Cada página era um convite silencioso para tentar também, e eu tentava e não desistia.


Copiava, rabiscava, errava, refazia. E, naquele exercício inocente de repetição, algo foi crescendo dentro de mim: a vontade de criar com as mãos o que eu sentia com o coração.

Além de desenhar muito bem, Giuliano também era grafiteiro.
Lembro com carinho dos muros da nossa casa, que ganharam cor e expressão pelas mãos dele. E na minha adolescência, inspirada por ele, pintei as paredes do meu próprio quarto. Foi ali que entendi que arte também podia fazer parte da minha história.

Da faculdade aos pincéis

Foto tirada em 2000, minha primeira turma da faculdade de Publicidade e Propaganda

Me formei em Publicidade e Propaganda e fui homenageada na colação de grau como a artista da turma.
Mesmo tendo desejado cursar Artes Visuais, fui pelo caminho da Comunicação e levei comigo o impulso de criar com cores e formas.

Em 2005, pintei meu primeiro quadro com tinta acrílica. Logo depois, migrei para o óleo sobre tela.

Minha inspiração? Sempre a infância e o lúdico: balões, pirulitos, palhaços, máscaras, mandalas…

Logo depois, passei para o óleo sobre tela, e não parei mais.
Pintei dezenas de quadros, sempre com temas que revelavam minha alma:
balões, pipas, máscaras, pirulitos, palhaços, mandalas… Tudo que me remetia ao lúdico e a à infância.

Em 2008, venci um concurso de arte contemporânea promovido pela Pinacoteca de Franca.

Karina com a madrinha Gloria Gera

E desde 2006, participo como muralista na Semana de Portinari, em Brodowski — uma das experiências mais bonitas e constantes da minha vida artística.

 

Do pincel ao papel: a arte virou livro

Com o tempo, a escrita foi se somando à pintura.
E minhas histórias, que antes moravam nas telas, passaram a habitar as páginas dos meus livros. Em 2009, publiquei meu primeiro livro, sobre as Mandalas que fiz para uma exposição de artes na Pinacoteca de Franca e depois a exposição circulou para outros locais.

Meu primeiro livro foi publicado em 2009, sobre a história das mandalas que fiz para uma exposição

Hoje, sou eu mesma quem ilustra minhas obras infantis.
Uso traços simples, formas arredondadas, cores chapadas — criando uma linguagem visual que acolhe e convida.
Não é um detalhe estético.
É um modo de contar sem dizer, de emocionar sem legenda, de fazer com que a criança se sinta parte da narrativa.

Ver crianças reproduzindo meus desenhos é o maior elogio que posso receber.
É sinal de que meus traços dialogam com suas mãos, olhos e corações.

Criança da E.E João Etchebere, da cidade de RIfaina, reproduzindo desenhos do livro Quando Olhei a Floresta por uma Fresta.

E isso, pra mim, é o que faz tudo valer.
Com traço, tinta e ternura,