Por Karina Gera – escritora, arte-educadora e apaixonada pelas infâncias
Como a música e a rima ajudam a aprender
Desde os primeiros passos, as crianças aprendem cantando, repetindo sons, imitando gestos. Elas gostam de rima, de melodia, de brincar com o corpo enquanto cantam. Isso não é por acaso. A ciência já comprova: o brincar e a música ativam áreas fundamentais do cérebro para o desenvolvimento da linguagem, da memória e da emoção.
A neurociência confirma o que a infância já sabia
Estudos em neurociência mostram que, durante o brincar, especialmente quando há envolvimento emocional e corporal, o cérebro da criança libera dopamina, um neurotransmissor ligado ao prazer e à aprendizagem. Ou seja, quando a criança brinca e se diverte, ela aprende mais — e com mais alegria.
A música, em especial, ativa múltiplas áreas cerebrais ao mesmo tempo: audição, movimento, linguagem e memória. Rimas e cantigas ajudam a organizar o pensamento, fortalecer conexões neurais e ampliar o vocabulário.
Cantigas de roda: tradição que ensina
As cantigas de roda são parte do nosso patrimônio cultural oral. Passadas de geração em geração, trazem ritmo, afeto, socialização e significado. Elas ensinam regras sociais, coordenam movimentos, treinam escuta e fortalecem vínculos , tudo isso com naturalidade, sem esforço.
Ao cantar “Se essa rua, se essa rua fosse minha…” ou “Ciranda, cirandinha…”, a criança brinca, mas também:
organiza o pensamento em estruturas rítmicas e previsíveis
aprende a esperar a vez, cooperar e respeitar
fortalece a atenção, a memorização e a escuta ativa
experimenta a linguagem como forma de afeto
Brincar é mais que lazer — é ferramenta de aprendizagem
Como arte-educadora, vejo todos os dias o quanto a música, o brincar e o afeto transformam a experiência educativa. As cantigas despertam sorrisos, mas também construções cognitivas profundas.
Ao valorizar a brincadeira cantada, estamos dizendo à criança:
“Seu jeito de aprender é legítimo. Sua alegria importa.”
E quando o aprender encontra a brincadeira, tudo floresce com mais leveza e profundidade.
Que nunca nos falte roda, canto e rima. E que a educação continue se encantando com as formas simples, profundas e afetivas de ensinar.