Por Karina Gera – escritora, ilustradora e arte-educadora

Brincar é a linguagem da infância.” — essa frase ecoa em mim sempre que varinha mágica, uma caixa de papelão em castelo, ou um livro em portal.

Em tempos em que as telas ocupam cada vez mais espaço no cotidiano das infâncias, permitir que a criança imagine, brinque e descubra o mundo com o próprio corpo, a própria mente e o próprio tempo é um gesto de resistência.
E de cuidado. Como mãe e educadora, não consigo compreender a infância sem o livre brincar.

Imaginar é tão importante quanto aprender

Muitas vezes, nos preocupamos tanto em ensinar o “necessário” que esquecemos do essencial: a imaginação é base para a criatividade, para a empatia e para a resolução de problemas.
É a partir do imaginar que a criança começa a experimentar, projetar, inventar, e isso não é menos valioso que decorar, repetir ou seguir instruções.

A escritora e pesquisadora Lygia Bojunga dizia:

“A imaginação é um território livre, e o livro é o passaporte para entrar nele.”

A literatura como brincadeira séria

Quando uma criança entra em uma história, ela não apenas ouve ou lê, ela vive aquela narrativa.
Ela se vê, se reconhece, se transforma.
Por isso, acredito que a literatura é uma das formas mais bonitas de proteger o brincar e alimentar o imaginar.

Nos livros, não há limite de cenário, de tempo, de realidade.
Eles convidam a criança a criar seus próprios mundos, sem precisar de wi-fi, aplicativos ou filtros.
Somente com a força da palavra e da imagem.

Ser criança é explorar mundos (de verdade)

A infância precisa de chão, de folha, de vento. Precisa de lápis, papel, história e tempo.
Precisa de espaço para ser — sem pressa, sem padrão, sem interferência constante.

A literatura infantil, quando oferecida com afeto e liberdade, é uma aliada preciosa nesse processo.
Ela permite que a criança viva muitas infâncias dentro da sua própria.
E descubra que brincar, imaginar e ser são formas inteiras de existir.


Se você tem uma criança por perto, ofereça livros.
Deixe que ela imagine.
Permita que brinque.
Porque, no fundo, a imaginação é o começo de toda transformação.

Com poesia e presença,