Por Karina Gera – escritora, arte-educadora e idealizadora do Artiloka
Em 2011, dei um passo corajoso e amoroso: o projeto Artiloka ganha um espaço físico, um núcleo de arte, design e cultura.
Ele nasceu do desejo de criar um coletivo, vivo, onde a arte não fosse apenas expressa, mas compartilhada.

Desde o início, o Artiloka foi pensado como uma engrenagem.
A filosofia era simples e profunda:
“Ninguém faz nada sozinho. E a arte só gira quando há roldanas.”
E começamos com esta filosofia que foi representada pela identidade visual:
O projeto se tornou realidade graças à generosidade da minha madrinha, Gloria Gera, que acreditou em mim e cedeu uma casa para que o Artiloka pudesse nascer com estrutura e afeto.
Foi mais do que um espaço físico — foi um abraço de confiança.
Além da minha madrinha, também tive o privilégio de contar com a presença e o incentivo de poderosas “engrenagens”, como o amigo Wagner Voss, o Rengaw, então diretor da Pinacoteca de Franca. Ele me abriu portas, apresentou pessoas, me orientou com sensibilidade artística e humana.
Também recebi o apoio do meu querido amigo-irmão Geraldo Miranda de Macedo, artista plástico talentoso e companheiro de tantos projetos, exposições e sonhos. Geraldo foi mais do que um colaborador, foi força, lealdade e generosidade em forma de gente.
Hoje, ambos — Wagner e Geraldo — pintam juntos o céu, e seguem vivos na memória da minha trajetória com gratidão e saudade.
Outras mãos cruciais para o sucesso do Artiloka foram as da minha mãe Maria Aparecida, do meu pai Luiz Carlos, do meu noivo na época Marcelo, e dos amigos Lucio Caparelli, Jeanne D’arc e do meu primo Lucas, que também me acompanharam desde as primeiras exposições, montagens e decisões.
O nome de cada um está desenhado na história do Artiloka.
Foi no Artiloka que comecei a empreender de fato.
O espaço se transformou num centro cultural independente, onde ofereci oficinas, apresentações teatrais, contações de histórias, encontros com educadores e artistas.
Ali, a arte deixou de ser apenas expressão e passou a ser também educação, provocação, transformação.
Foi ali também que nasceu minha atuação como arte-educadora, unindo literatura, visualidade e consciência social.

Hoje o Artiloka trabalha com outro formato, levamos a arte e a educação para muitos lugares, mas aquela casa ainda vive em tudo o que faço. Nos meus livros, nas histórias que conto, nas rodas com crianças, nos traços que desenho.
Porque o Artiloka foi mais do que um espaço:
foi a semente de tudo que sou como artista e arte-educadora.
E talvez, poucas pessoas saibam, mas esta casa eu passei toda a minha infância, ela foi a morada dos meus avós paternos.

E é com esse espírito que sigo criando:
fazendo a arte girar com afeto, coletividade e propósito.