Por Karina Gera – escritora, ilustradora e arte-educadora
Desde que comecei a escrever para crianças, percebo que existe algo que atravessa todas as minhas histórias, mesmo quando o tema é sério, mesmo quando o assunto é urgente: o afeto.
O afeto é o que costura o texto com o leitor. É o que torna uma narrativa não apenas compreensível, mas sentida. E na literatura infantil, ele é ainda mais potente — porque alcança o coração antes mesmo de alcançar a razão.
Histórias que tocam primeiro o coração
A infância é feita de descoberta, mas também de delicadeza. Quando escrevemos para crianças, não basta pensar no conteúdo: é preciso pensar em como aquilo vai ser recebido, acolhido e lembrado.
Afinal, uma história lida na infância pode acompanhar alguém por toda a vida. E o que fica? Não são só os personagens. Fica o riso. Fica o susto. Fica o abraço escondido entre palavras. Fica o afeto.
É por isso que, mesmo quando escrevo sobre temas complexos como racismo, desigualdade ou meio ambiente, procuro caminhos afetivos. Não para suavizar — mas para chegar com verdade e sensibilidade.
O afeto como base da educação e da transformação
Sou arte-educadora há mais de uma década. E nessa caminhada, aprendi que a educação que transforma é a que escuta, acolhe e afeta. O mesmo vale para os livros: não basta informar, é preciso emocionar. É preciso abrir espaços dentro do leitor, onde ele possa se reconhecer, sonhar, se perguntar, criar novas possibilidades.
Quando uma criança lê algo que a toca, ela não apenas aprende. Ela se liga ao mundo de outro jeito. E isso, para mim, é o maior papel da literatura infantil: formar leitores com coração atento.
Escrevo com o desejo de abraçar
Cada livro que escrevo é uma tentativa de abraço em forma de história. É um convite ao encontro: entre quem escreve e quem lê, entre quem lê e quem vive, entre quem vive e quem transforma.
Porque escrever para crianças é isso: plantar afeto e colher consciência.
Se você também acredita no poder da palavra como gesto de cuidado, vem comigo nesse caminho. Tem sempre uma nova história querendo nascer — e ser sentida.